terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

PICCIANI: DERROTADOS DEVEM RECOLHER SUAS ARMAS - BRASIL 247 NOTÍCIAS

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Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, na disputa a reeleição ao posto nesta quarta-feira (17), Leonardo Picciani pede defesa da democracia e diz que derrotados devem recolher suas armas: “É hora de permitir que o governo democraticamente eleito tenha condições de governar, enquanto é tempo, pelo bem do país”.
Ele critica o golpismo da oposição, liderada por Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Cunha (PMDB): ‘A oposição nunca reconheceu sua derrota. Passou a trabalhar na tese do "quanto pior, melhor", a ponto de renegar suas próprias bandeiras históricas, como a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ao mesmo tempo em que defendia a necessidade dos ajustes, votava medidas de aumento de gastos’.
Picciani enfrenta Hugo Motta na disputa pela liderança do PMDB, candidato de Eduardo Cunha.
Sou formado por uma escola política que ensina que não se briga com o resultado das urnas. Depois que as eleições terminam, os derrotados devem recolher suas armas. Os vencedores, governar.
Infelizmente, não é o que vimos acontecer desta vez. Sinto-me muito livre para tratar disso porque é público que não apoiei a presidente Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014.
Pela razão de o PT ter lançado candidato próprio a governador no Rio, rompendo aliança de sete anos com PMDB local, e por acreditar que era hora da alternância do poder, na esfera federal, defendi, na convenção do meu partido, em junho do ano passado, o rompimento com o projeto petista.
O PMDB tinha ali a chance de traçar um caminho próprio, mas optou, por diferença apertada, por manter a aliança. O PMDB saiu dividido, mas não poderia permitir que, passada a eleição, a disputa eleitoral permanecesse dividindo o país. Foi justamente o que aconteceu.
A oposição nunca reconheceu sua derrota. Passou a trabalhar na tese do "quanto pior, melhor", a ponto de renegar suas próprias bandeiras históricas, como a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ao mesmo tempo em que defendia a necessidade dos ajustes, votava medidas de aumento de gastos.
Na ausência de elementos que demonstrassem, até então, o envolvimento pessoal da presidente Dilma com escândalos de corrupção desvendados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, foi gestada a tese de que "pedaladas fiscais" seriam motivo de impedimento.
A tese, fraca e de difícil compreensão popular, inicialmente não uniu nem a oposição. Aos poucos, contudo, ajudada pela condução errática do governo com sua base e por um clima político cada vez mais conflagrado na Câmara, a tentativa de golpe chegou ao Planalto. Era hora de o PMDB assumir seu papel moderador.
Fui eleito, em fevereiro de 2015, líder do PMDB na Câmara. Quando, nesta condição, fui chamado para conversar sobre a participação da bancada no governo, submeti a proposta ao voto. Por 41 a 9, venceu a posição pela participação no governo. Pedi nomes, apresentei nove opções por escrito à presidente, que fez suas escolhas. Eu mesmo não tenho um único cargo indicado por mim.
Nenhum líder, em qualquer tempo, teve a unanimidade da bancada do PMDB. O diálogo, entretanto, sempre foi a marca do nosso partido. Por isso, é um retrocesso ver práticas truculentas se instalarem não apenas na condução da Câmara, mas na própria bancada.
O fato de terem ressuscitado a velha prática da deposição de líder por meio do recolhimento de assinaturas em listas é o maior exemplo disso. Respeitei a posição da bancada e submeti-me a ela, mas logo depois retornei ao cargo de líder com o apoio desses parlamentares.
Quanto a mim, independentemente de ser ou estar líder, ficarei onde minha consciência manda. Enquanto a planície assiste estarrecida ao teatro de horrores que se desenrola em Brasília, a crise econômica se aprofunda, a inflação e o desemprego disparam.
É hora de permitir que o governo democraticamente eleito tenha condições de governar, enquanto é tempo, pelo bem do país.

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